A reportagem "Desconforto que não se sente" de Alex Alcântara foi publicada em 23 de julho de 2010 na revista on-line Agência FAPESP (http://www.agencia.fapesp.br/materia/12510/desconforto-que-nao-se-sente.htm).
Ela traz os resultados do projeto “Conforto térmico em espaços públicos abertos: aplicação de uma metodologia em cidades do interior paulista” (apoiada pela FAPESP) realizada em parques, praças e espaços públicos de lazer.
A pesquisa foi realizada entre 2008 e 2009 e captou características ambientais como temperatura, umidade relativa do ar, radiação solar, presença e localização de equipamentos em espaços públicos de Campinas, Bauru e Presidente Prudente.
Espaços estudados, segundo o município:
Campinas: (1) Parque Portugal (Parque Taquaral); (2) Praça Imprensa Fluminense (Centro de Convivência); (3) Praça Largo do Pará.
Bauru: (1) Praça da Paz; (2) Bosque da Comunidade; (3) Calçadão da rua Batista de Carvalho.
Presidente Prudente: (1) Praça Nove de Julho; (2) Parque do Povo; (3) Calçadão da rua Tenente Nicolau Maffei.
Abaixo um mapa com a localização dos espaços públicos em cada município.
Visualizar Praças e parques estudados no projeto Conforto térmico em espaços públicos abertos em um mapa maior

Pesquisadores envolvidos: Lucila Chebel Labaki (Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp), Maria Solange Gurgel de Castro Fontes (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp em Bauru), Carolina Lotufo Bueno Bartholomei (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp em Presidente Prudente), e alunos da pós-graduação e graduação.
O projeto utilizou uma estação meteorológica móvel desenvolvida para o projeto no Laboratório de Conforto Ambiental e Física da Unicamp.
Com base nos dados dessa estação, segundo a reportagem de Alex Alcântara, o projeto identificou que 51% dos indivíduos pesquisados consideraram-se “termicamente neutros” nos vários espaços e condições climáticas avaliados, e para o intervalo de temperatura de neutralidade no índice PET o percentual de satisfeitos foi de 61%.
A seguir transcrevo alguns pontos de destaque na reportagem, que pode ser lida integralmente em http://www.agencia.fapesp.br/materia/12510/desconforto-que-nao-se-sent:
De acordo com Lucila Chebel Labaki, professora titular da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, o confronto entre as condições de conforto real e calculado e a percepção dos usuários em relação à sensação e à satisfação térmica aponta uma diferença significativa entre os espaços.
“O que nos chamou a atenção é que, apesar de os dados calculados evidenciarem de uma maneira geral um grande desconforto térmico nesses espaços, causado pelo frio ou calor, a maioria dos usuários relatou se sentir confortável”, disse Lucila à Agência FAPESP.
Segundo ela, o estudo sugere que o prazer de estar em espaço público, associado ao tempo livre, decorre de uma somatória de fatores, dentre os quais o microclima, mas esse não é decisivo para a percepção de conforto.
Além de caracterizar os espaços escolhidos, o estudo monitorou condições microclimáticas (temperatura do ar, umidade relativa e velocidade do ar, radiação solar) ao utilizar o índice PET (Temperatura Equivalente Fisiológica, da sigla em inglês), que engloba uma série de fatores – como temperatura, umidade relativa do ar, radiação solar, entre outros – para avaliar o conforto térmico.
Além disso, também foram aplicados questionários junto aos usuários dos espaços para identificar a sensação e satisfação térmica em diferentes condições de tempo (frio e seco, quente e úmido, quente e seco).
Segundo Lucila, a avaliação do conforto térmico nesses espaços requer não apenas o conhecimento das condições microclimáticas, que são importantes para cálculos térmicos. “Exige-se também a análise dos aspectos de cada ambiente e de como influenciam os usos, o tempo de permanência e a percepção dos usuários sobre o lugar”, indicou.
Em outro estudo de Lucila apoiado pela FAPESP, concluído em 1999, com cinco espécies que arborizam áreas urbanas de Campinas (SP) – sibipiruna, ipê-roxo, magnólia, chuva-de-ouro e jatobá –, a pesquisadora verificou que todas as árvores analisadas reduziam bastante os efeitos da radiação solar e ofereciam maior conforto térmico.
As análises nos espaços nas três cidades no interior de São Paulo permitiram identificar um melhor desempenho para as áreas arborizadas.
“Isso não apenas pelas características microclimáticas, mas também porque os espaços mais arborizados oferecem mais opções de permanência, pela disponibilidade de mobiliários e equipamentos de lazer e exercícios, por exemplo”, disse.
Por outro lado, segundo Lucila, os aspectos que mais contribuíram para o comprometimento da qualidade dos espaços pouco arborizados, além do microclima, foram a quantidade e qualidade dos bancos, localização inadequada e uso de materiais menos confortáveis para tais assentos, como concreto.
A pesquisadora salienta que, embora a arborização contribua para o conforto térmico não há uma relação direta entre melhor conforto e arborização. “Mas nos espaços analisados observou-se essa relação. Pode ser que uma maior preocupação do poder público com a arborização de uma área implique maior cuidado com os outros aspectos”, destacou.
Visão Panorâmica do Google Street View do Parque Taquaral em Campinas/ SP.
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