11 novembro 2009

Explorando possibildiades de Many Eyes


Usos de Many Eyes

Testei a ferramenta de visualização de nuvem de palavras (Wordle) palavras com a letra da música Father and Son de Cat Stevens.

A música composta em 1970 retrata um diálogo imaginário entre pai e filho, ambos interpretados pelo próprio Cat Stevens. O vídeo e a letra estão disponível em paisage sonora.

Tentei comparar as palavras mais usadas pelo pai e as mais usadas pelo filho, no diálogo.

Eis o resultado:

Pai








Visualizando as palavras mais ditas, fica evidente que as intenções do Filho são de partir e se afirmar usando a primeira pessoa "Eu" (I, know, have, go, away) e o pai, respeitando a partida do outro afirma que "você" pode partir mas vá com calma (You, take, your, time).

Gráficos podem mudar o mundo (Revista Super)

Extraído da Revista Super Interessante (Editora Abril, edição 271, Novembro de 2009)

Os gráficos que podem mudar o mundo

por FERNANDA VIÉGAS

(pesquisadora e designer computacional da IBM, com Ph.D. pelo Media Lab do MIT. Ela é uma das criadoras doMany-Eyes e participa do ciclo de palestras do TEDxSP)

A Guerra da Crimeia acontecia no mar Negro, entre 1853 e 1856: um conflito sangrento entre a Rússia e uma coligação entre Inglaterra, França e Império Otomano. Uma guerra normal, com os feridos e mortos de sempre. Mas, às vezes, temos a capacidade de aprender com as tragédias. E esse foi o caso das fatalidades na guerra: elas causaram uma revolução nos hospitais do mundo que, ainda hoje, reduz bastante o risco de morte por infecção hospitalar.
O cerne dessa revolução foi uma imagem. Uma imagem que não mostra campos de batalha, soldados feridos ou crianças mortas. É uma imagem de números - um gráfico. Florence Nightingale, uma enfermeira inglesa, resolveu usar estatísticas sobre a morte de soldados para pintar um retrato da situação. O diagrama revelou que a maioria dos soldados morria nos leitos de hospitais, e não nos campos de batalha - eram 10 vezes mais mortes causadas por tifo, cólera e disenteria do que por ferimentos de batalha. A falta de ar fresco, luz e higiene nos hospitais provocava milhares de mortes desnecessárias. Era a primeira vez que se via fatalidades militares com números - e o diagrama era tão dramático que o governo inglês resolveu melhorar as condições sanitárias dos hospitais militares. E, assim, reduziu a mortalidade de soldados de 42% para 2,2%. Tudo graças a uma imagem.

Visualização é isso: o poder de contar histórias e tomar decisões baseando-se em dados. Visualizações fazem com que assuntos complexos se tornem concretos e acessíveis. Em 2006, por exemplo, Al Gore transformou o debate mundial sobre aquecimento global ao subir em um guindaste para mostrar uma curva que representava o aumento de CO2 e da temperatura na Terra. Imagine se Al Gore, em vezde gráficos, tivesse mostrado apenas uma tabela de centenas de números? Quantas pessoas teriam entendido a gravidade da situação?
É por isso que a visualização é o fotojornalismo do século 21. Não só retrata os fatos da nossa época, mas motiva o debate. Visualizar dados governamentais, por exemplo, cria um espelho do país, mostrando suas conquistas e mazelas. E fazer isso não precisa ser complicado. Já há sites que disponibilizam, de graça, ferramentas sofisticadas de visualização. Quando eu criei o Many Eyes, imaginei um site onde qualquer um pudesse visualizar os dados que desejasse. Há pessoas que o usam para enxergar o conteúdo do freezer. Outras, os convidados de seu casamento. Crianças descobrem os tipos de meias que têm em casa. A habilidade de transformar números em imagens e entender o que elas significam será cada vez mais importante. Pois quem brinca de visualizar meias de familiares hoje visualiza o orçamento governamental amanhã.


Mapa da cólera, John Snow, 1854

Durante um surto de cólera em Londres em 1854, o médico John Snow mapeou a localização dos casos da doença (veja aqui ampliado). Acreditava-se que a cólera era causada pelo ar poluído, mas o mapa mostrou que a maioria dos doentes estavam ao redor de uma bomba de água na Rua Broad. A correlação fez com que as autoridades considerassem que a água do poço estivesse contaminada. Assim que a bomba da Rua Broad foi retirada, a epidemia acabou.



Retrato de uma guerra, Florence Nightingale, 1858

Ao ver soldados morrendo na Guerra da Criméia, a enfermeira Florence Nightingale pintou um retrato em 3 categorias: azul para mortes infecciosas evitáveis; em vermelho, ferimentos de batalhas; em preto, demais causas. Vendo que os soldados morriam mais nos leitos que em batalhas, o governo inglês resolveu melhorar as condições sanitárias dos hospitais. A mortalidade de soldados foi então reduzida de 42% para 2,2%. Clique aqui para ver o original.



Tabela Periódica, Dmitri Mendeleev, 1869

O diagrama dos elementos químicos conhecidos, criado pelo químico russo Dmitri Mendeleev (veja aqui), mostra cada um de acordo com o número atômico, em ordem crescente. A Tabela revolucionou o estudo da química com a classificação, sistematização e comparação, e permitindo prever as tendências dos átomos em cada elemento. Foi como se, de repente, encontrássemos a planta arquitetônica do mundo químico. Confira também a versão moderna dele.


Google maps, Google, 2005

"Em pouco tempo o Google Maps revolucionou a maneira como nos deslocamos de um ponto A para um ponto B. Com um mapa interativo que visualiza a melhor rota entre dois endereços e fornece direções passo a passo, é um exemplo de visualização usada todos os dias por milhões de pessoas no mundo. Clique aqui e não saia de casa sem ele. "



Uma Verdade Inconveniente, Al Gore 2006

Quando Al Gore subiu em um guindaste para mostrar a curva crescente de CO2 e temperatura na Terra, criou-se um ícone no debate sobre o aquecimento global. A imagem pegou fogo na internet, passando de blog em blog e influenciando as agendas políticas internacionais da noite para o dia. Para assistir o vídeo, clique aqui.



26 outubro 2009

Mapas e Gráficos da UNEP

GRID-Arendal é um Centro de colaboração oficial do Programa Ambiental das Nações Unidas para o Ambiente (United Nations Environment Programme/UNEP). Dá suporte em decisões informadas e de sensibilização nas áreas de : Gestão de informação e avaliação ambientais; serviços de capacitação; e divulgação e comunicação de ferramentas, metodologias e produtos.

No site é possível fazer download de mapas e gráficos como esses:

Padrões no desflorestamento na Bacia do Rio Xingu, Brasil

(Trends in Deforestation in the Xingu River Basin Brazil)


Causas do Desflorestamento no Brasil


Perda de vidas humanas em conflitos fundiários entre 1997 e 2007 no Brasil


FONTE: UNEP/GRID-Arendal Maps and Graphics Library; 2009. Available online.

More in: Vital Forest Graphics – Stopping the downswing? UNEP, FAO, United Nations Forum on Forests, 2009. http://www.grida.no/_res/site/file/publications/vital_forest_graphics.pdf

Padrões de circulação atmosférica

(Atmospheric Circulation Patterns)


Emissões globais de gases de efeito estufa por setor

(World Greenhouse Gas Emissions by Sector)


FONTE: UNEP/GRID-Arendal Maps and Graphics Library; 2009. Available online.

More In: Blue Carbon - The Role of Healthy Oceans in Binding Carbon. Disponível: http://www.grida.no/publications/rr/blue-carbon/

17 outubro 2009

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, Luis Fernando Veríssimo e filme Home


Nos últimos dias aconteceram coisas interessantes.

No início da semana, li um texto muito interessante do Luis Fernando Veríssimo chamado Evolução, escrito em 1976 e que já mostrava para onde a humanidade estava caminhando em termos de catástrofes ambientais, desigualdades sociais e maneiras bem-humoradas de tratar a questão (ver texto mais abaixo).

Ontem, assisti o filme Home, de Yann-Arthus Bertrand, com imagens belíssimas da natureza selvagem e de assentamentos humanos ao redor do mundo. Mas, também, com imagens de degradação ambiental decorrentes de mudanças climáticas, aquecimento global, industrialização, urbanização, e outros processos antropogênicos.

Além disso, Home apresenta vários dados como os seguintes: 20% da população do mundo consome 80% dos recursos disponíveis; uma em cada cinco pessoas utilizam a pesca como principal fonte de alimento; se gasta 12 vezes mais para fins militares do que para ajudar os países pobres; áreas protegidas cobrem mais de 13% dos continentes e isso que foram criados a menos de um século; um bilhão de pessoas não tem acesso a água potável; mais da metade dos grãos comercializados vira carne ou biocombustível..

Começo a preparar a apresentação do texto do Luis F. Veríssimo e descubro que hoje, 17 de outubro, é lembrado como o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza pela Organização das Nações Unidas (ONU), e ontem foi o Dia Mundial da Alimentação, promovido pela Food and Agriculture Organization (FAO), orgão que trata de alimentos e agricultura junto à ONU.

Cartaz do Dia Mundial da Alimentação (Imagine: Achieving food security in time of crisis ou Imagine: Alcançando a segurança alimentar em tempos de crises)



Cartaz do Dia Internacional para Erradicação da Pobreza
(We can en poverty together ou Nós podemos acabar com a pobreza juntos)

Eis o texto do Veríssimo transcrito:

"Evolução" - Luis Fernando Veríssimo

Os fracos herdarão a Terra, mas não no sentido que queria a Bíblia, como prêmio à humildade e à contemplação. É que só os miseráveis de hoje estão preparados para enfrentarem qualquer crise. Eles estão treinando há gerações.

Pense um pouco. Quem tem mais possibilidade de agüentar uma crise total de combustível? Os pedestres. É claro. Os carroceiros. Algumas tribos nômades. Você e eu, acostumados ao carro particular, ao táxi, ao ônibus seletivo e à carona – ao transporte automotor, enfim – não saberemos mais andar. Nós não somos automotores, nos habituamos a ser levados. Não teremos nenhuma chance contra quem se criou em filas do INPS e correndo para bater o ponto. Chegaremos, invariavelmente, por último, nos queixando dos calos.

E a crise de alimento? Quando só houver arroz, feijão e um pouco de farinha para cada cidadão, quem terá estômago para agüentar? Quem se acostumou desde pequeno, claro. Os subnutridos natos. Prevejo os hospitais cheios de novos-pobres sendo atendidos por saudáveis favelados.

- Tome a sua sopinha de aipim, vamos. O aipim é deste ano. Eu mesmo lavei.

- Argh!

- Hoje ela tem até um pouquinho de sal. Coragem...

As forças vivas de hoje serão os marginais de amanhã. Associações de lavadeiras farão chás de capim beneficentes em prol das damas de sociedade com insuficiência calórica. Ex-zeladores de carro darão pequenas gorjetas a executivos para ficarem cuidando das crianças enquanto eles saem para fazer biscates. Os líderes desta nova sociedade serão os catadores de lixo – ou Técnicos em Reciclagem, na nova nomenclatura. O que descobrir mais coisas reaproveitáveis no meio do lixo será aclamado Homem de Visão do ano, com direito a um carroção particular puxado por três parelhas de profissionais liberais.

Cada privação criará a sua elite. Com a falta de energia elétrica teremos a ascensão dos ladrões, acostumados a andar no escuro. A crise da habitação favorecerá os que vivem em baixo de pontes. Estes venderão seu know-how financiado, mas a correção monetária será demasiada e haverá uma onda de despejos, para dentro do rio. Comece, portanto, a tratar melhor os miseráveis. Dê altas esmolas. Corteje seus empregados. Seja caridoso. E se você é daqueles que dizem – “Não sei como essa gente consegue sobreviver” – procure descobrir e decore tudo. Para eles a crise sempre existiu. Eles têm uma prática!

VERÍSSIMO, Luís Fernando. O nariz e outras crônicas. 10ª ed., 3ª impres. São Paulo, Ática, 2002, 85-86. Publicado inicialmente em VERÍSSIMO, L.F. A Grande Mulher Nua. Rio de Janeiro, Ed. José Olympio, 1975.

Pois é, Luis Fernando Veríssimo e seu cenário de Evolução da civilização vem nos alertar para novas possibilidades de aprendizado e adaptação. Para finalizar, um mapa mostrando a fome no mundo em 2009.


Fonte das Imagens: Coração feito de alimentos; Cartaz FAO World Food Day 2009; Cartaz ONU International day for the eradication of poverty 2009; Mapa da fome no mundo 2009.

09 outubro 2009

ColorBrewer, IndieMapper e mais ferramentas da Axis Maps LLC

Axis Maps LLC 


É uma empresa de cartógrafos preocupados em transformar os mapas em ferramentas interativas e de fácil utilização. Conheça também as ferramentas disponíveis para uso gratuito (aqui) e as dicas para fazer mapas animados e interativos em Cartography 2.0.

Colorbrewer 2.0 

É uma ferramenta online criada para ajudar as pessoas a selecionar bons esquemas de cores para mapas e outros gráficos. O usuário é capaz de escolher qual a qualidade dos gráficos de saída e qual a palheta de cores que deseja.




TypeBrewer 

Simula o uso de fontes em mapas:


Indie Mapper 

Permite abrir e converter shapefiles e apresentar o mapa em diferentes projeções (abaixo duas imagens da interface do programa):

Layers ativados: Cidades do mundo, países, rios e Municípios da Amazônia Legal (este layer eu que inclui através de upload).

Projeção Ortográfica


Projeção Mercator


Projeção Mercator (Detalhe)

30 setembro 2009

Bandeiras de países feitas com alimentos típicos

Chefs australianos criaram uma campanha para o festival de culinária “Sydney International Food Festivalusando comidas típicas de cada país para formar as suas respectivas bandeiras.

A bandeira do Brasil foi feita com limão e abacaxi;

A bandeira do Vietnã é feita de Lichia e Carambola;
A bandeira da Itália é de manjericão, macarrão e tomate;

A bandeira da França foi feita com queijos e uvas;

FONTE: Uol Notícias/BBC Brasil “Chefs criam bandeiras usando comida” (29/09/2009)

Reportagem: http://estilo.uol.com.br/ultnot/bbc/2009/09/29/ult3806u704.jhtm

Fotos: http://estilo.uol.com.br/album/bbc/bandeirascomida_album.jhtm?abrefoto=1#fotoNav=6

04 setembro 2009

Amazônia: Fronteira da Agricultura ou da Escravidão?

[última atualização em 12 set. 2014]

Reproduzo aqui a imagem de um infográfico em forma de mapa que estava disponível no site da Agência Brasil em 2007. Infelizmente, o infográfico não está mais disponível no site e o que reproduzo a seguir é uma imagem capturada em 2009 e que foi apresentada num trabalho que apresentei em Dagnino et al. (2010).

O mapa continha dados dos Ministérios do Trabalho e do Meio Ambiente e do IBGE e era possível sobrepor até três camadas simultaneamente: Trabalho escravo (cor marrom), PIB Agrícola (laranja) e Área desmatada (verde). Sobrepondo todas as informações, o maior cruzamento das camadas ficava na área pintada de rosa, cortando diagonalmente o Brasil e passando pelos estados do Pará e Mato Grosso.

A imagem que apresento aqui destaca a região da Terra do Meio (em vermelho no mapa maior) que era o recorte do meu trabalho. A Terra do Meio está contida nos municípios paraenses de São Félix do Xingu e Altamira. 

Fonte: Adaptado de Agência Brasil (2007).


Referências

AGÊNCIA BRASIL. Mapa: Fronteira da Agricultura ou da escravidão? Agência Brasil, 2007. Disponível em: <http://www.agenciabrasil.gov.br/media/infograficos/2007/07/13/100707_2.swf/view>. Acesso em 4 set. 2009. [link fora do ar em 2014]

DAGNINO, R.; CARMO, R.; D'ANTONA, A. As Unidades de Conservação da Terra do Meio (Estado do Pará) como local privilegiado para a análise sociodemográfica da fronteira. In: I Posdem - Encontro Nacional de Pós-Graduação em Demografia e áreas afins. Campinas, 2010. Disponível em: <http://goo.gl/1NFVG0>. Acesso em 10 de jun. 2014

29 agosto 2009

Amazônia: Recuperação de 20% da área derrubada

Abaixo reproduzo a notícia publicada na Folha de São Paulo em 29/08/09 (Fonte). Para mais informações ver notícia no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE.

Floresta Amazônica registra recuperação de 20% da área derrubada


CLAUDIO ANGELO
Editor de Ciência da Folha de S.Paulo
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Folha de S.Paulo, em Belém

O primeiro mapa da regeneração florestal na Amazônia traz uma notícia boa e outra má. A boa é que 20% de tudo o que foi desmatado na região entre 1988 e 2007 se recuperou, formando matas secundárias (capoeiras). A má é que essas matas secundárias têm meia-vida curta: em menos de cinco anos metade da área regenerada volta a virar lavoura e pasto.

Assim, dos estimados 132 mil km² de florestas secundárias que existiam na região em 2006, 60 mil terão sido reconvertidos em 2011. Segundo o pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que elaborou a estimativa, entender a dinâmica de perda e ganho dessas capoeiras é crucial para saber quais são as reais emissões de CO2 do Brasil por desmatamento: afinal, enquanto se regenera, a floresta sequestra carbono do ar. O atual inventário brasileiro de emissões considera uma regeneração de 12%.

Os cálculos sobre a regeneração foram feitos por Claudio Almeida, diretor do Centro Regional da Amazônia do Inpe, inaugurado ontem em Belém. São estimativas ainda preliminares, feitas com base em 26 imagens de satélite (cenas) do Prodes, o sistema de sensoriamento remoto que calcula a taxa oficial de desmatamento.

"Vamos concluir até novembro um levantamento de porta a porta, com quanto entrou e quanto saiu [se perdeu] de vegetação secundária em 2008", disse Almeida à Folha.

O dado deverá vir acompanhado de uma estimativa de quanto carbono essas novas vegetações conseguem absorver, em comparação com o que é emitido pelo corte raso.

Tapete amarelo

O Prodes mapeia desde o fim dos anos 1980 a perda de floresta na Amazônia, mas ninguém sabe direito o que acontece com a vegetação depois. "A gente não olha mais para a cena depois que ela entra no tapete amarelo", diz Almeida. "Tapete amarelo" é como os técnicos do Inpe chamam as áreas desmatadas, marcadas nos mapas do Prodes com essa cor.





O primeiro mergulho no tapete amarelo tem revelado um ciclo de abandono e retomada das pastagens. "Num dado momento, o proprietário fica descapitalizado e abandona o pasto. Dali a três, quatro anos, ele vende a área e o pasto é limpo de novo, ou ele mesmo refaz a pastagem", afirma o cientista.

Ontem Almeida divulgou os dados de regeneração para Amapá, Mato Grosso e Pará. Mato Grosso detém o pior índice. Cerca de 11% dos 201,7 mil km2 derrubados no Estado voltaram a ter algum tipo de floresta. No Pará, foram 22%, dos 233,4 mil km2 desmatados. No Amapá, um quarto (ou 25%) dos 2.440,3 km 2 destruídos pelo homem se regenerou.

Segundo Paulo Barreto, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), os números são positivos. "Se você considerar que as áreas foram desmatadas para serem usadas, é bastante coisa", diz.
Segundo ele, as diferenças regionais se devem aos fatores econômicos e naturais que limitaram o desenvolvimento da pecuária ou da agricultura.

Ainda não se sabe o estágio dessas florestas secundárias, nem há por enquanto a diferenciação entre reflorestamento e crescimento natural.

As informações devem ser captadas ao longo do levantamento, que se tornará anual. Com ele, será possível aferir, além da regeneração florestal, quais áreas se tornaram pastos e quais são lavouras. Hoje, o dado é compilado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas com base só em declarações dos fazendeiros. É tido como inexato.

28 julho 2009

Cartazes de Saúde Pública

Selecionei alguns cartazes interessantes sobre saúde pública que podem ser encontrados emVisual culture and Public Health Posters.

O poster "How Indoor Air Pollutants Affect the Body" (Como os poluentes atmosféricos afetam o corpo), foi produzido em 1987 pela American Lung Association e mostra um esquema de como as toxinas presentes na poluição atmosférica entram no organismo e aonde elas atacam.

Abaixo, o poster "The Air We Breathe" (1980) da American Lung Association mostra como a atmosfera está inerconectada. A poluição gerada tanto no ambiente urbano e industrial (no fundo da paisagem) se confunde com outras fontes de poluição no meio rural (trator, em primeiro plano).


Este, chamado "Could Lead Be Poisoning Your Child?" (O chumbo pode estar envenenando sua criança?) de 1995, foi elaborado pela Vermont Department of Health. No cartaz pode-se notar que a criança aparentemente é saudável e parece brincar com seu carrinho. Entretanto, esta é justamente a mensagem que o cartaz quer mostrar: nem sempre uma criança saudável está imune de ter grandes concentrações de chumbo no sangue (adquiridas durante a infância) e que apenas mais tarde, na vida adulta, poderão aparecer.


Sugiro dar uma olhada na página da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estads Unidos (US National Library of Medicine) que também mantém um rico acervo sobre História da Medicina e diversas imagens de época.

22 julho 2009

Chumbo em São Paulo

Na versão em papel da Folha de São Paulo de 19/07/2009 foi publicada a reportagem "Chumbo contamina Ibirapuera, diz pesquisa" de Ana Paula Boni. (misteriosamente a versão on-line não traz a reportagem, mas uma versão dela pode ser conferida no site do IPEN - Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares).

Trata-se de uma pesquisa inédita da engenheira florestal Ana Paula G. Martins, doutoranda do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP, com cascas de árvores de cinco parques de São Paulo: Ibirapuera, Trianon, Luz, Aclimação e Previdência.
Os parques Ibirapuera e Trianon registram os mais altos índices de chumbo entre os parques pesquisados.

De acordo com a reportagem de Ana Paula Boni, não na Folha mas sim no site do IPEN: "Um eucalipto na borda do Ibirapuera, no trecho em que uma lombada faz os carros diminuírem a velocidade na avenida Quarto Centenário, carrega em seu tronco informações sobre o impacto da frota de 6,5 milhões de veículos e 321 helicópteros da capital. Sem falar no fluxo de cerca de 500 aviões que pousam e decolam diariamente no vizinho aeroporto de Congonhas."

Abaixo, mapa interativo com localização dos Parques estudados, os aeroportos de São Paulo e as estações de monitoramento utilizadas no relatório da CETESB (2009).



Visualizar Parques São Paulo em um mapa maior

A reportagem da FSP ainda destaca que:

"O metal foi banido do combustível dos automóveis, mas ainda está presente na gasolina de aviação. Não por acaso, os parques estão na rota mais intensa do tráfego aéreo da metrópole, cuja frota de helicópteros só perde para a de Nova York. Por isso, a hipótese de o chumbo vir da gasolina de aviação ganha força.

A química Ana Maria Graciano Figueiredo do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares), diz que hoje o metal pode mesmo vir em maior parte do céu. Mas faz uma ressalva. "O chumbo pode estar acumulado desde a época em que era permitido na gasolina de carros."

A poluição que vem do alto entrou na agenda do poder público. Em um mês, o estudo de impacto ambiental realizado no aeroporto de Congonhas receberá um parecer da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

Com o laudo final, a secretaria vai determinar o controle das emissões de poluentes tanto na terra quanto nos ares."

Coincidência, ou não, a CETESB acaba de publicar relatório sobre a evolução das concentrações de Chumbo no Ar de São Paulo (anexado a seguir). O relatório, de junho de 2009, conclui que houve diminuição de chumbo no ar da capital (p.9): "A efetiva redução dos níveis de chumbo observados na atmosfera da RMSP, em relação ao início da década de 80, pode ser atribuído, em grande parte, à introdução do álcool e da proibição do chumbo no combustível automotivo."

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