29 dezembro 2006

Mapeamento de Riscos Ambientais na Bacia do Ribeirão Anhumas


Mapeamento participativo de riscos ambientais na Bacia Hidrográfica do Ribeirão das Anhumas, Campinas/SP.

Ricardo Dagnino e Salvador Carpi Junior

Apresentado durante o I Forum de Integração e (Com) Ciência: Moradia, Unicamp e Comunidade de Integração e (Com) Ciência: Moradia, Unicamp e Comunidade, em 2006.


06 dezembro 2006

André Journaux - Carta do meio ambiente e de sua dinâmica - Baixada Santista, São Paulo

Disponível para download a Carta realizada por André Journaux para a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) em 1985.


Referência Bilbiográfica:

SÃO PAULO. Carta do meio ambiente e de sua dinâmica - Baixada Santista. São Paulo: Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), 1985. Memorial descritivo. 33p. + 1 mapa. Coordenação: Prof. André Journaux.

Um pequeno recorte do mapa da região de Santos:


13 novembro 2006

Artigos Transgênicos X Artigos Orgânicos

José Augusto Pádua, Professor do Departamento de História da UFRJ e autor do livro “Um Sopro de Destruição” (resenha de Allan Monteiro sobre o livro) foi convidado pela Folha de São Paulo a deixar o seu recado sobre o dilema entre Orgânicos Versus Transgênicos (caderno Mais!, 29/out/06).

A idéia da Folha naquele domingo eleitoral, provavelmente estimulada pela bipolarização provocada pelo pleito presidencial, foi colocar em debate temas polêmicos. Para isso pediu que especialistas deixassem suas opiniões sobre dois temas aparentemente contraditórios. Além do artigo de José Pádua, cabe destacar as dissonâncias entre os adoradores de Chico Buarque e os de Caetano Veloso, no artigo regido pelo maestro Julio Medaglia, e também o debate em torno do Criacionismo e do Darwinismo que ficou contemplado no texto de Luiz Felipe Pondé, Professor da PUC-SP.

A realidade observada, na maioria das vezes, é mais parecida com um diamante do que com uma moeda. Isto faz com que a abordagem binária (cara ou coroa, X ou Y, branco ou preto, etc...) não seja a mais indicada para tratar de assuntos polêmicos. Entretanto, a análise realizada nos artigos supracitados foi capaz de confrontar e dialogar com as várias nuances do problema.


O artigo de José Augusto Pádua que apresento a seguir é diferente daquele que foi publicado na Folha. Imagino que por uma questão editorial, o artigo que apareceu na Folha possui menos palavras, o que fez com que o encadeamento de idéias fosse, em grande parte, acelerado. Por um lado, poderia justificar o caso dizendo que a diferença entre o da Folha e este está muito mais na forma do que talvez no conteúdo (imaginando que realmente existe esta diferença e as coisas não estão todas integradas). Por outro lado, posso imaginar o artigo publicado na Folha como um “Artigo Transgênico”, ao passo que o “original” (aquele que foi escrito pelo autor sem os cortes e que aqui reproduzo) é o “Artigo Orgânico”.


Sem mais delongas, vamos ao artigo do Prof. José Augusto Pádua gentilmente cedido para ser apresentado neste espaço.


TRANSGÊNICOS VERSUS ORGÂNICOS

José Augusto Pádua

“A ciência descobre, a tecnologia executa, o homem obedece”. As palavras escritas no portal da Feira Mundial de Chicago, em 1933, sintetizam a postura submissa que ainda caracteriza a relação de importantes setores da opinião publica contemporânea com as inovações tecnológicas. No vazio das antigas certezas religiosas, a ciência tornou-se para muitos a única fonte confiável de verdade. Uma esfera superior, de saber e pureza quase religiosos, onde os indivíduos comuns – os mesmos que se supõe serem cidadãos ativos e iguais no sistema democrático - não têm como penetrar. Uma fonte de inovações técnicas essencialmente benéficas e eticamente insuspeitas, com as quais devemos todos nos conformar (sob o risco de sermos chamados de obscurantistas, jurássicos ou coisa semelhante).

É irônico observar, porém, que o próprio movimento da modernidade global age no sentido de dissolver a aura de devoção construída em torno do complexo ciência & tecnologia. O número cada vez maior de pessoas escolarizadas, a velocidade e intensidade dos meios de comunicação, o estabelecimento de múltiplos espaços para o confronto de opiniões, vêm contribuindo para gerar sociedades que discutem cada vez mais o seu presente e futuro. Neste contexto histórico, no mundo da chamada “modernização reflexiva”, fica cada vez mais evidente a existência de enormes divergências entre cientistas de alta qualificação, inclusive no que se refere aos fatos aparentemente objetivos. É o que sociólogos norte-americanos, na década de 1980, chamaram de “Síndrome do Skylab”. Ou seja, a perda de confiança publica na ciência ocasionada por episódios como o de 1979, quando ficou visível para a comunidade global que os cientistas não conseguiam chegar a um acordo sobre onde cairiam os destroços daquela enorme estação espacial desativada.

O que está sendo discutido, na verdade, não são os limites da ciência, mas sim o alcance da democracia na alta modernidade. Neste sentido, a surpreendentemente forte reação de diversos atores sociais aos alimentos transgênicos, especialmente dos consumidores europeus, representa um caso paradigmático. O movimento de extensão qualitativa da democracia, com o aumento crescente do leque de setores da vida social que deve ser incluído no debate político, inclusive os temas da denominada “biopolítica”, se choca com a pretensão autoritária de setores empresariais no sentido de impor ao conjunto da sociedade decisões tecnológicas de alto risco ambiental. A pressão democrática para que a produção de organismos geneticamente modificados seja debatida de forma intensa e transparente, com uma moratória no seu uso, contribui para dar visibilidade aos condicionantes econômicos reais que controlam grande parte da atual pesquisa técnico-científica. E serve também para expor o uso da ideologia da pureza do progresso científico como instrumento para justificar decisões empresariais fundadas em objetivos bem menos etéreos, tais como o aumento dos lucros e o controle dos mercados.

Não se trata de coibir a pesquisa acadêmica. O esforço de politização das novas tecnologias, com exceção de algumas poucas vozes especialmente radicais, não passa pela defesa de uma censura da investigação teórica ou experimental. O problema está na difusão social precoce, por motivos calcados essencialmente na busca por poder econômico, de técnicas perigosas que ainda estão sob intenso debate científico. Ou seja, uma clara violação empresarial do chamado “princípio da precaução”, que estabelece, diante da incerteza, que não se devem adotar atividades ou técnicas cujas conseqüências, se negativas, possam ser irreversíveis ou além da nossa capacidade de controle.

Os organismos geneticamente modificados, na medida em que são seres vivos, podem mesclar-se com outros organismos e penetrar nas cadeias ecológicas planetárias, reproduzindo-se de forma descontrolada. Qualquer descoberta a posteriori de que causam problemas graves, como é tão comum na história da ciência, pode se dar em um contexto de dano irreversível ao que existe de mais precioso para a reprodução da vida humana na Terra: a diversidade de organismos e semenstes.

É tolice, portanto, associar os transgênicos à modernidade e os orgânicos ao arcaísmo. No setor da produção orgânica, por exemplo, que está crescendo como uma alternativa ao modelo transgênico, existe hoje um grande investimento científico. Não se trata de aceitar passivamente os movimentos da natureza, mas sim de buscar ativamente, através de um conhecimento ecológico fino e sofisticado, formas de potencializar a produtividade e capacidade de sustentação das lavouras. O mais correto, aliás, seria falar em agroecologia, já que a proposta, ao menos nas suas melhores versões, não se limita a evitar o uso de agrotóxicos, passando também pela adoção de um manejo ecologicamente inteligente das unidades produtivas como um todo (incluindo água, solos, florestas, cadeias alimentares etc).

Mas seria ingênuo supor que a polarização entre transgênicos e orgânicos está fundada em uma disputa apenas técnico-científica. Trata-se, mais que tudo, de uma questão de poder. A agroecologia, por suas características concretas, não facilita a concentração de poder, assim como não favorece o estabelecimento de monopólios, patentes e pacotes tecnológicos. A gestão ecológica da agricultura requer desenhos locais, que dialoguem com as condições específicas de cada domínio do território. Seus insumos, além disso, são renováveis e recicláveis. No núcleo da pressão pelos transgênicos encontra-se a fome de poder de um número restrito de enormes conglomerados empresariais que, no limite, buscam usar as novas tecnologias para dominar a oferta de sementes e reduzir a autonomia dos agricultores e, por extensão, das sociedades. É assustador imaginar um futuro em que algo tão vital como as sementes, assim como as fontes da alimentação em geral, estejam nas mãos de pouquíssimas corporações. O consumidor, ao optar pelo que comer e por qual modelo favorecer, pode estar fazendo política no mais alto grau.

02 novembro 2006

Anoitece em Campinas, Novembro/2005

Fotomontagem: Ricardo Dagnino
Som: Gustavo Santaolalla


Pôr-do-Sol em Campinas, interior de São Paulo, Brasil. (Preview)

A coloração avermelhada do céu se deve à poluição atmosférica que sufoca a maior cidade do interior do Brasil. O som é da trilha sonora do filme "21 Grams", composta pelo guitarrista argentino Gustavo Santaolalla. As fotos e montagens são de Ricardo Dagnino.

Clique aqui para ver a versão completa de 1 minuto.

01 outubro 2006

E o meu voto vai pra.... nova bandeira do Brasil

Baseada no lema completo do positivismo de August Comte: Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim. A proposta de nova bandeira do Brasil merece ganhar mais atenção.

Tem até um site dedicado a este assunto, o lema é: bota amor nessa bandeira!!

Eu diria mais, bota amor nesse país inteiro, no mundo inteiro. E viva o Amorismo e viva a Geografia do Amor.

E o Jards Macalé, em 2003 lançava um disco em homenagem ao seu fiel escudeiro, Wally Salomão, chamado....adivinhem: Amor, Ordem e Progresso. Nesse disco, regravou a música de Noel Rosa, cuja letra reproduzo a seguir.
Positivismo
Noel Rosa e Orestes Barbosa
A verdade, meu amor, mora num poço
É Pilatos, lá na Bíblia, quem nos diz
E também faleceu por ter pescoço
O autor da guilhotina de Paris
Vai, orgulhosa, querida
Mas aceita esta lição
No câmbio incerto da vida
A libra sempre é o coração
O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezastes esta lei de Augusto Comte
E fostes ser feliz longe de mim
Vai, coração que não vibra
Com teu juro exorbitante
Transformar mais outra libra
Em dívida flutuante
A intriga nasce num café pequeno
Que se toma para ver quem vai pagar
Para não sentir mais o teu veneno
Foi que eu já resolvi me envenenar

Enquanto o Brasil para pra ver a Eleição de Lula....

...esquecemos do avião brasileiro, pilotado e tripulado por estadunidenses, que causou a queda de um avião norteamericano, pilotado e lotado de brasileiros.

Um país que tem um presidente que é o último a saber e que não assume nada, também tem um vice-presidente do mesmo time. As primeiras informações do Ministro da Defesa, o vice-presidente José de Alencar, distoavam das informações do Governo Norte Americano. Depois dizem que vivemos na sociedade ou na Era da Informação, pura balela. Até pouquíssimo tempo nem sabiam onde tinha ido parar o avião da Gol (vôo 1907) que havia sumido do radar.

Tá certo que é em plena selva, é difícil chegar, de saber o que acontece, mas o território é nosso... ou pelo menos era?!

E pra piorar, o Exército ficou exitando se aceitava ou não a juda dos índios do xingu que são os que mais conhecem a área e se ofereceram pra ajudar nas buscas desde o início.

Será que somos obrigados a assistir a inficiência dos resgates e o desencontro das informações. Até agora apenas dois corpos foram achados...48 horas depois do acidente. Tenho pena é dos familiares, esses sim serão os últimos a saber!! Dizem que o prazo para solucionar o caso é de 6 meses. Então, até lá!

21 setembro 2006

Herrera, Dunga e as Mães


“Em suma: a mãe sabe que pode necessitar do conselho de médicos, psicólogos, pediatras, artistas, dietistas, etc., mas sabe também que esses conselhos pouco servem se ela não os articula e harmoniza de acordo com a personalidade de cada criança. É fácil imaginar o desastre que resultaria se tratássemos de criar uma criança usando uma equipe de especialistas, cada um deles ocupando-se apenas de seu campo especifico, sem essa mediação integradora.

Finalmente, o que é que faz com que uma mulher possa realizar uma tarefa de tal complexidade? Em primeiro lugar, a existência da motivação que é seu amor pela criança. Em segundo lugar, mas não menos importante, essa visão ou intuição globalizadora que constitui, em nossa opinião, o essencial da contribuição especificamente feminina para a compreensão da realidade.”

Pág. 146

HERRERA, Amilcar. "Mães e Interdisciplina" In: DAGNINO, Renato (org.). Amilcar Herrera: um Intelectual Latino-Americano. Campinas: UNICAMP/IG/DPCT, 2000. p. 145-148.

20 setembro 2006

Por que Dunga?

Achei legal reproduzir a reportagem da Folha por dois motivos:

1) ele sempre foi um batalhador, um guerreiro, nada muito a ver com Geografia ou a Profissão de Geógrafo em si mesma, mas pelas suas atitudes de desbravar de conquistar. (Ia dizer que ele é de Campo, assim como muitos bons geógrafos, mas dixa isso pra lá...)

2) suas palavras dizem muito do que tenho pensado ultimamente. O exemplo que ele dá sobre as mães é muito bonito. O Amilcar Herrera dizia algo parecido num artigo publicado inicialmente na mesma Folha de São Paulo só que 23 anos antes.

Sobre o artigo "Mães e Interdisciplina" de 21 de maio de 1983, continuo em breve...

01 agosto 2006

Dunga, o novo técnico da Seleção Brasileira













Foto de Antônio Vargas - 16.set.83/ Agência RBS./ Agência RBS.

"Toda criança é meio revoltada, e eu não era diferente. Lembro que, quando jogava no Ouro Verde, de Ijuí, chegava a ser meio birrento. Brigava sem razão, chegava atrasado. O treinador me ensinou a ter disciplina. Aprendi que, no futebol e na vida, é preciso ter uma postura firme e correta."

DUNGA
novo técnico da seleção brasileira

Reproduzido a Capa do caderno "Esporte" da Folha de São Paulo de domingo, 30 de julho de 2006.

O dono da bola

Como Dunga deixou de ser o garoto birrento de Ijuí para virar líder nos campos e ganhar posto de técnico da seleção

Temperamental desde a infância, ex-jogador só melhorou comportamento quando comandou time de futebol na adolescência

GUILHERME ROSEGUINI
PAULO GALDIERI

DA REPORTAGEM LOCAL

O homem eleito para substituir Carlos Alberto Parreira no comando da seleção nem sempre conseguiu a designação de líder com naturalidade.
Também penou na escola pelo mesmo estilo emotivo e brigador que hoje é apontado como trunfo na sua missão de reerguer o Brasil. E chegou a gerir uma equipe de futebol com 15 anos para provar que não era um aluno-problema.
Na infância e na juventude, o temperamento inflamável que marcou o sucesso profissional de Dunga causou-lhe alguns dissabores, de acordo com relatos de familiares e amigos que acompanharam sua jornada em Ijuí, cidade gaúcha de 80 mil habitantes onde nasceu.
O acervo de causos inusitados começa já nas primeiras manifestações de seu propalado espírito de liderança.
A mãe, Maria, conta que "Dunguinha" era temido pelos colegas desde os primeiros chutes nos campos de várzea. Não por falar grosso ou distribuir reprimendas aos garotos, todos na época com seis ou sete anos, mas por ser o único proprietário de um objeto indispensável para disputa. "O Dunga era o dono da bola. Quando se enfezava, acabava com o jogo. Tinha que ser do jeito dele. A gurizada tinha que segui-lo."
Bolas, aliás, nunca faltaram na casa da família. Carlos, avô paterno do agora treinador da seleção, atuou como goleiro em pequenas equipes. Outros sete tios enveredaram pelo futebol.
O pai de Dunga, Edelceu, também se arriscou nos gramados, exibindo um repertório parecido com o que depois consagraria seu caçula.
"Lembro que ele era o líder do time, bravo e reclamão. Não é difícil adivinhar a quem o Dunga puxou", relata Cesar Augusto Valduga, que jogou com Edelceu no Esporte Clube São Luiz, agremiação de Ijuí.
Esse espírito colérico, muitas vezes birrento, deixou Dunga em maus lençóis nos tempos escolares. Não que tivesse problemas com notas. Seus boletins no colégio Rui Ramos, onde estudou por cinco anos, registram médias que variam entre 60 e 80. Educação física era o ponto forte (conseguiu um 100 na quarta série). Educação artística, o fraco (teve conceito "regular" na quinta série).
O que chamava atenção dos docentes era o comportamento intempestivo. "Quando ele cismava com algo, ninguém tirava da cabeça. Para os professores da época, era um mau elemento", relata Dona Helianita, ex-diretora da escola Rui Barbosa, destino do ex-atleta quando tinha entre 13 e 14 anos.
Ela encampou a missão de tentar recuperá-lo. Amiga da família, acreditava que o garoto precisava ganhar uma missão de responsabilidade, alguma tarefa na qual pudesse desovar suas qualidades de comando.
Como a paixão pelo futebol já havia sido manifestada, Helianita colocou Dunga para administrar a equipe dente-de-leite da instituição. Era sua primeira experiência como gestor.
"Ele cuidava dos garotos e até das contas do time. Aos poucos, melhorou bastante, deixou de ser disperso e conquistou a todos", conta a ex-diretora.
A experiência é lembrada até hoje pelo protagonista. "Era uma função importante, onde era preciso zelar pela união do grupo. Na época, aprendi que às vezes é preciso ceder para ganhar", afirma Dunga, 42.
Paralelamente à reviravolta que vivia na escola, o ex-jogador também chamava atenção pelo que fazia com a bola nos pés. Valdir Aguirre, falecido técnico que o comandava no Ouro Verde, achava que o pupilo merecia uma chance fora dos limites de Ijuí. Procurou então Emídio Perondi, padrinho de Dunga, e pediu para tentar uma vaga em um clube da capital.
"Fui ver um jogo dele e não gostei. De qualquer forma, levei-o para Internacional com 15 anos. Não demorou muito para eu saber que estava totalmente enganado", diz Perondi.
O sucesso meteórico -em 1982, apenas quatro anos depois de desembarcar no clube, Dunga ganhou o Estadual, seu primeiro troféu com os profissionais- acabou ofuscando o início difícil na nova casa.
Eram tempos bicudos. O agora treinador da seleção dormia com colegas em um alojamento improvisado embaixo das arquibancadas do estádio dos Eucaliptos. Os colchões eram colocados no chão. "Eu tinha um par de chuteiras, que usava nos jogos. Nos treinos, calçava um tênis Bamba", recorda Dunga.
Reclamações? Vontade de voltar para casa? De acordo com Perondi, jamais. "Não lembro de queixas. Ao contrário, dizia que sofrer era bom, que ajudava o homem a crescer. Ele segue essa filosofia até hoje. Vai causar impacto na seleção."

As mães são o meu exemplo, diz treinador

GUILHERME ROSEGUINI

DA REPORTAGEM LOCAL


Mamães, sensibilidade e combate à preguiça. Dunga nunca treinou uma equipe profissional, mas já tem na ponta da língua os preceitos que devem norteá-lo no comando da seleção. Na noite de anteontem, ele conversou com a Folha, por telefone.

FOLHA - Suas qualidades de líder sempre são exaltadas por quem atuou ao seu lado como jogador. Em quem você se espelha?
DUNGA
- Não fico procurando exemplos na política nem no esporte. Me espelho mesmo é nas mães. Quem tem paciência pra agüentar filhos, marido, trabalho, brigas internas e consegue apaziguar as coisas? Quem sabe a hora de puxar as orelhas no momento certo? Quem fica feliz com o sucesso dos outros? Só as mães. São verdadeiras líderes, e podemos aprender com elas lições que podem ser transportadas para o cotidiano do futebol.

FOLHA - Ao anunciar sua contratação, a CBF informou que buscava um técnico vibrante, motivador. Mas só isso basta na seleção?
DUNGA - Tudo é importante. Acredito que a sensibilidade é algo fundamental. É preciso conhecer bem cada jogador, para saber em que momento é preciso fazer cobranças ou elogios, para ter em mente quem pode brilhar, quem pode resolver a situação nos momentos complicados. Fui atleta e tive técnicos que sabiam sugar o que eu tinha de melhor. Eles me conheciam. Quero poder fazer o mesmo agora.

FOLHA - Você estréia no próximo dia 16, contra a Noruega. Já pensou em como motivar o grupo, especialmente após a malfadada campanha na Alemanha?
DUNGA - Estar na seleção já é uma motivação. Eu valorizo muito isso, talvez por não ter sido um craque. Sempre tive vontade de vencer. Quem ocupa um posto tão cobiçado deve ter a exata noção da importância do Brasil. Lembro de uma frase do Ricardo Rocha [zagueiro campeão do mundo em 1994] que acho muito interessante. Ele dizia "eu quero é entrar na banda, não importa o instrumento que vou tocar." Este espírito de entrega precisa existir.

FOLHA - Você sempre declarou gostar de treinar duro. Pretende tornar mais árduas as práticas da seleção, tão criticadas na Copa?
DUNGA - É preciso avaliar caso a caso. Não vou chegar agora e dar um treino de 3 horas só para dar resposta por causa do último Mundial. Os jogadores acabam de sair de férias, é um momento complicado. Mas, quando tiver tempo, aí seguirei as coisas em que acredito. Pô, 180 milhões querem jogar na seleção brasileira. Não pode haver preguiça. Com 14 ou 35 anos, nunca liguei de sair cedo da cama para treinar. Sacrifício momentâneo, satisfação duradoura. Os jogadores vão ter que entender isso.


Sobre o apelido:
ANÃO: APELIDO DE TÉCNICO FOI CRIADO NO BERÇO
Quando Carlos Caetano Bledorn Verri nasceu, em 1963, Emídio Perondi, seu padrinho, surpreendeu-se com o bebê atarracado, que tinha barriga protuberante e braços curtos. "Isso aí vai dar um Dunguinha", brincou. Dunga cresceu, alcançou 1,77 m, disputou três Copas como jogador. Mas o apelido nunca foi alterado.

10 julho 2006

Chord Geometries by Dmitri Tymoczko

Na Folha de São Paulo, li uma entrevista com Dmitri Tymoczko entitulada Música no espaço, reproduzida abaixo.

Ele criou o software Chord Geometries que representa canções graficamente. O programa está disponível para downloads.

Na página do Dmitri tem exemplos bem legais de Chopin e Deep Purple. Também está disponível o download de transcrições de partituras (transcriptions) de Bill Evans, Keith Jarret e outros músicos de Jazz, entre outras músicas de sua autoria. Podes baixar os seus artigos tbém.


Reproduzo a entrevista na Folha de São Paulo (Caderno Ciência de Domingo 09/07/2006)

Música no espaço

Geometria de de espaços retorcidos revela a lógica por trás de composições simples ou sofisticadas

RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL

Na última sexta-feira, pela primeira vez em 127 anos de história, a prestigiada revista "Science" abriu espaço para falar de música, um assunto inusitado em meio a textos sobre astrofísica e neurofarmacologia. O estudo musical que passou numa das peneiras mais seletivas do mundo científico foi escrito por Dmitri Tymoczko, professor da Universidade de Princeton (EUA). Em três páginas, ele usa geometria para atacar a a questão que permeia os trabalhos de todo compositor. Como encadear bem os acordes e notas numa canção?
A pergunta remete a dois elementos fundamentais da música ocidental: a harmonia, que trata das seqüências de acordes, e o contraponto, a arte de conectar harmonias formando melodias simultâneas. A dificuldade de dominar a interação entre os dois é que nenhum tipo de representação gráfica -como uma partitura- permite enxergar diretamente a sutileza dessa interação.
Em busca de uma solução, Tymoczko recorreu à geometria não-Euclidiana, que lida com espaços retorcidos, nos quais existem coisas bizarras como linhas paralelas tortas. O estudo o permitiu criar diagramas 3-D de representação musical e enxergar coerência onde antes só havia mistério. Para desmistificar a complicação, ainda criou filmes em que um sofisticado prelúdio de Chopin "dança" no espaço (music. princeton.edu/~dmitri). Em entrevista à Folha, Tymoczko fala sobre seu novo trabalho.

FOLHA - Seu estudo delimita o espaço no qual a harmonia se situa. Isso o ajuda a compor ou serve apenas como ferramenta de análise?
DMITRI TYMOCZKO -
Como compositor, acho útil entender os princípios gerais sobre os quais a música opera. Todo compositor tem dúzias de truques, cada um oferece a compreensão de uma pequena região do espaço musical. O que é legal sobre os espaços geométricos é que eles podem fornecer um mapa de todos os acordes. De repente, em vez de olhar para uma pequena porção da paisagem musical, podemos ver ela toda. Isso nos mostra que muitos truques de composição de Chopin, Wagner, Debussy ou Bill Evans- na verdade são intimamente ligados. Isso, espero, pode dar a compositores um novo senso de fluência, uma maior flexibilidade com a linguagem musical. Em vez de emprestar truques de Debussy, podemos usar princípios gerais sobre os quais eles operam. Minha visão sobre análise musical, aliás, é a de que ela é uma ferramenta para "roubar" de outros compositores sem ser flagrado.

FOLHA - Alguns músicos acham que "leis científicas" de composição vão contra o princípio de criatividade. Isso não pode ser uma barreira para o diálogo entre arte e ciência?
TYMOCZKO -
Concordo que regras são feitas para serem quebradas. Não existe obrigação em arte. Uma coisa legal sobre os espaços geométricos que desenvolvi é que eles são bastante gerais. Em seus limites amplos, podem ser usados para representar qualquer música, seja sublime ou ridícula. E eles revelam uma conexão íntima entre harmonia e contraponto, dois princípios musicais que eram tidos como relativamente independentes, mas, ao que parece, são fortemente ligados. Por causa disso, esses espaços nos permitem usar sentenças como: "Se" você quiser que sua música tenha certas propriedades, "então" precisa fazer isso. Para mim, "se" e "então" não são regras, mas diretrizes que ajudam a escrever musica de determinado tipo.

FOLHA - Os padrões que você descreve se referem apenas a grandes ramos da música ocidental, como erudito, jazz e rock?
TYMOCZKO -
As noções de harmonia e contraponto são idéias essencialmente ocidentais, padrões que datam do século 11 e se estenderam para incluir jazz e outras formas modernas de música. Meu estudo cita exemplos de jazz, Wagner, Debussy e Ligeti, e é possível achar centenas de outros diferentes. Essas idéias, contudo, não se aplicam a toda música. Certas músicas não têm "acordes" no sentido ocidental do termo. Boa parte da música asiática e africana é assim, e muitas canções só têm melodia. Muito do que se faz em rock também não possui muito contraponto. Meus modelos são um pouco inúteis para esses estilos, mas às vezes surpreendem. Em rock é possível ver os mesmos padrões geométricos influenciando o dedilhado de progressões comuns de acordes de guitarra, que surgem da mecânica física do instrumento. E os modelos podem ser úteis se quisermos refletir sobre padrões africanos de repetição rítmica que podem ser modelados como "acordes" no domínio rítmico.

FOLHA - Seu trabalho se apóia em uma geometria extremamente sofisticada. É possível descrevê-lo a um músico não-matemático?
TYMOCZKO -
As idéias envolvidas na verdade são muito simples. A matemática fornece termos sofisticados para um conceito natural e intuitivo que, geometricamente, pode ser descrito como "ligar pontos" no espaço. No ano passado, dei palestras sobre esse material para um público muito variado, e em geral foi bastante fácil comunicar as idéias básicas envolvidas.

FOLHA - Muitos conceitos musicais estão ligados a aspectos físicos e psicológicos da audição humana. Os padrões achados em seu estudo podem ter base neurológica?
TYMOCZKO -
Essa questão é o próximo tema em meu trabalho. Estou elaborando experimentos psicológicos para analisar a relevância que isso tem para a percepção musical.

15 junho 2006

06 junho 2006

The revolution will not be telivised (Audio)





Dêem uma olhada em Gil Scott Heron. Um músico norte-americano precursor do Hip-Hop e do Rap (Rhythm and poetry, ou em português, Ritmo e Poesia) que, em 1974,
cunhou The revolution will not be telivised, a frase que dá título a disco e música (cuja letra é reproduzida abaixo), agradecimentos ao Violão Velho.


The revolution will no be televised
You will not be able to stay home, brother.
You will not be able to plug in, turn on and cop out.
You will not be able to lose yourself on skag and skip,
Skip out for beer during commercials,
Because the revolution will not be televised.
The revolution will not be televised.
The revolution will not be brought to you by Xerox
In 4 parts without commercial interruptions.
The revolution will not show you pictures of Nixon
blowing a bugle and leading a charge by John
Mitchell, General Abrams and Spiro Agnew to eat
hog maws confiscated from a Harlem sanctuary.
The revolution will not be televised.
The revolution will not be brought to you by the
Schaefer Award Theatre and will not star Natalie
Woods and Steve McQueen or Bullwinkle and Julia.
The revolution will not give your mouth sex appeal.
The revolution will not get rid of the nubs.
The revolution will not make you look five pounds
thinner, because the revolution will not be televised, Brother.
There will be no pictures of you and Willie May
pushing that shopping cart down the block on the dead run,
or trying to slide that color television into a stolen ambulance.
NBC will not be able predict the winner at 8:32
or report from 29 districts.
The revolution will not be televised.
There will be no pictures of pigs shooting down
brothers in the instant replay.
There will be no pictures of pigs shooting down
brothers in the instant replay.
There will be no pictures of Whitney Young being
run out of Harlem on a rail with a brand new process.
There will be no slow motion or still life of Roy
Wilkens strolling through Watts in a Red, Black and
Green liberation jumpsuit that he had been saving
For just the proper occasion.
Green Acres, The Beverly Hillbillies, and Hooterville
Junction will no longer be so damned relevant, and
women will not care if Dick finally gets down with
Jane on Search for Tomorrow because Black people
will be in the street looking for a brighter day.
The revolution will not be televised.
There will be no highlights on the eleven o'clock
news and no pictures of hairy armed women
liberationists and Jackie Onassis blowing her nose.
The theme song will not be written by Jim Webb,
Francis Scott Key, nor sung by Glen Campbell, Tom
Jones, Johnny Cash, Englebert Humperdink, or the Rare Earth.
The revolution will not be televised.
The revolution will not be right back
after a message about a white tornado, white lightning, or white people.
You will not have to worry about a dove in your
bedroom, a tiger in your tank, or the giant in your toilet bowl.
The revolution will not go better with Coke.
The revolution will not fight the germs that may cause bad breath.
The revolution will put you in the driver's seat.
The revolution will not be televised, will not be televised,
will not be televised, will not be televised.
The revolution will be no re-run brothers;
The revolution will be live.

AudioTrack 01 by Gil Scott-Heron on Grooveshark



Ps - o album pode ser baixado no site do Dj Uilson e as músicas podem ser ouvidas gratuitamente em Grooveshark


A revolução não será televisionada (Video)

Assiti ontem, depois de muito tempo menosprezando o papel histórico do presidente da Venezuela Hugo Chavez, o filme-documentário A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA (247 MB, duração de 1 hora e 14 minutos) que foi colocado para download pela galera do Centro de Mídia Independente (CMI).








Vale a pena.

O cara é um guerreiro, resolveu se rebelar contra o poder dos Norte-Americanos que mandaram e desmandaram em seu país por tanto tempo.

Tudo pelo Petróleo! (podia ser um programa do Silvio Santos)


O filme já está legendado. Quem baixar só precisa ter o codec p/ rodar o formato rmvb ou clica aqui pra baixar o player.

PS - Tem uma versão legendada no you tube:

29 maio 2006

Imagens Quikbird de Porto Alegre

Aos meus conterrâneos portoalegrenses estudantes e professores de Geografia e outras disciplinas que utilizam imagens de satélites.

Aqui pode ser feito gratuitamente o download das imagens do satélite Quickbird de todo município de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Para facilitar dividimos o acervo em duas partes:

Parte 1: 56 imagens (total 58 MB) e Parte 2: 52 imagens (total 69 MB), ou Parte 2 noutro endereço.


Detalhe da imagem "29872_F_I" com o Estádio Beira-Rio, também conhecido como Gigante da Beira-Rio, ao lado do ginásio Gigantinho.


Detalhe da imagem "29872_A_II.jpg" com a Rodoviária de Porto Alegre e os tradicionais taxis vermelhos.

Detalhe da imagem "29872_A_IV.jpg" com o Parque Farroupilha, também conhecido como Parque da Redenção (ver mapa índice a seguir)

Homenagem ao Dia do Geógrafo: 29 de maio

Hoje poderia ser mais um dia de cão, mas é um dia especial, é o dia do Geógrafo.
Viva a Geografia!
Geografize-se!


Conheça algumas leis e normas que regem o trabalho de Geógrafo:

Disponível no site da APROGEO-SP:


Lei nº 6.664 de 26 junho de 1979 - Disciplina a profissão de Geógrafo e dá outras providências.

Decreto nº 85.138 de 15 setembro de 1980 - Regulamenta a Lei n° 6.664, de 26 de junho de 1979, que disciplina a profissão de Geógrafo, e dá outras providências.

Lei n° 7.399 de 04 de novembro de 1985 - Altera a redação da lei n° 6.664, de 26 de junho de 1979, que disciplina a profissão de Geógrafo.

Decreto nº 92.290 de 10 de janeiro de 1986 - Regulamenta a Lei n° 7.399, de 04 de novembro de 1985, que altera a redação da Lei n° 6.664, de 26 de junho de 1979, que disciplina a profissão de Geógrafo.

Resolução CONFEA n°397 de 11 de agosto de 1995 - Dispõe sobre o piso salarial da categoria.

Sistema de legislação CONFEA



Mais informações:

+ Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB/Nacional)


+ Associações de Geógrafos Profissionais:

AGP/RS - link
APROGEO-SP - link
APROGEO/SC - link

Imprimir a postagem em PDF

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...