Pular para o conteúdo principal

Amazônia: Recuperação de 20% da área derrubada

Abaixo reproduzo a notícia publicada na Folha de São Paulo em 29/08/09 (Fonte). Para mais informações ver notícia no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE.

Floresta Amazônica registra recuperação de 20% da área derrubada


CLAUDIO ANGELO
Editor de Ciência da Folha de S.Paulo
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Folha de S.Paulo, em Belém

O primeiro mapa da regeneração florestal na Amazônia traz uma notícia boa e outra má. A boa é que 20% de tudo o que foi desmatado na região entre 1988 e 2007 se recuperou, formando matas secundárias (capoeiras). A má é que essas matas secundárias têm meia-vida curta: em menos de cinco anos metade da área regenerada volta a virar lavoura e pasto.

Assim, dos estimados 132 mil km² de florestas secundárias que existiam na região em 2006, 60 mil terão sido reconvertidos em 2011. Segundo o pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que elaborou a estimativa, entender a dinâmica de perda e ganho dessas capoeiras é crucial para saber quais são as reais emissões de CO2 do Brasil por desmatamento: afinal, enquanto se regenera, a floresta sequestra carbono do ar. O atual inventário brasileiro de emissões considera uma regeneração de 12%.

Os cálculos sobre a regeneração foram feitos por Claudio Almeida, diretor do Centro Regional da Amazônia do Inpe, inaugurado ontem em Belém. São estimativas ainda preliminares, feitas com base em 26 imagens de satélite (cenas) do Prodes, o sistema de sensoriamento remoto que calcula a taxa oficial de desmatamento.

"Vamos concluir até novembro um levantamento de porta a porta, com quanto entrou e quanto saiu [se perdeu] de vegetação secundária em 2008", disse Almeida à Folha.

O dado deverá vir acompanhado de uma estimativa de quanto carbono essas novas vegetações conseguem absorver, em comparação com o que é emitido pelo corte raso.

Tapete amarelo

O Prodes mapeia desde o fim dos anos 1980 a perda de floresta na Amazônia, mas ninguém sabe direito o que acontece com a vegetação depois. "A gente não olha mais para a cena depois que ela entra no tapete amarelo", diz Almeida. "Tapete amarelo" é como os técnicos do Inpe chamam as áreas desmatadas, marcadas nos mapas do Prodes com essa cor.





O primeiro mergulho no tapete amarelo tem revelado um ciclo de abandono e retomada das pastagens. "Num dado momento, o proprietário fica descapitalizado e abandona o pasto. Dali a três, quatro anos, ele vende a área e o pasto é limpo de novo, ou ele mesmo refaz a pastagem", afirma o cientista.

Ontem Almeida divulgou os dados de regeneração para Amapá, Mato Grosso e Pará. Mato Grosso detém o pior índice. Cerca de 11% dos 201,7 mil km2 derrubados no Estado voltaram a ter algum tipo de floresta. No Pará, foram 22%, dos 233,4 mil km2 desmatados. No Amapá, um quarto (ou 25%) dos 2.440,3 km 2 destruídos pelo homem se regenerou.

Segundo Paulo Barreto, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), os números são positivos. "Se você considerar que as áreas foram desmatadas para serem usadas, é bastante coisa", diz.
Segundo ele, as diferenças regionais se devem aos fatores econômicos e naturais que limitaram o desenvolvimento da pecuária ou da agricultura.

Ainda não se sabe o estágio dessas florestas secundárias, nem há por enquanto a diferenciação entre reflorestamento e crescimento natural.

As informações devem ser captadas ao longo do levantamento, que se tornará anual. Com ele, será possível aferir, além da regeneração florestal, quais áreas se tornaram pastos e quais são lavouras. Hoje, o dado é compilado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas com base só em declarações dos fazendeiros. É tido como inexato.

Comentários

Postagens mais vistas nos últimos 30 dias

Expansão urbana da cidade de São Paulo (1800-2000)

Os mapas e arquivos mostrando a expansão urbana de São Paulo estão acessíveis gratuitamente no site da Lincoln Institute of Land Policy, como parte do Atlas da Expansão Urbana, organizado por Angel (2010). Mais informações sobre o Atlas no site . Fonte: ANGEL, S., PARENT, J.;  CIVCO D.; BLEI, A. Atlas of Urban Expansion. Cambridge MA: Lincoln Institute of Land Policy, 2010. Online at  http://www.lincolninst.edu/subcenters/atlas-urban-expansion /. Sobre o projeto: "The Atlas of Urban Expansion provides the geographic and quantitative dimensions of urban expansion and its key attributes in cities the world over. The data and images are available for free downloading, for scholars, public officials, planners, those engaged in international development, and concerned citizens. The global empirical evidence presented here is critical for an intelligent discussion of plans and policies to manage urban expansion everywhere." Sobre os mapas da seção 2 "30 Cities in H...

Gerador de mapas de sobrenomes italianos

Os mapas abaixo foram elaborados  pelo projeto GENS e estão disponíveis no site  http://www.gens.labo.net/it/cognomi/ . Basta escolher o sobrenome desejado (no caso foi Dagnino) que o site mostra a localização das pessoas que possuem o sobrenome, na Itália e nos Estados Unidos. É possível escolher a técnica cartográfica na qual a informação será apresentada. O Projeto Gens  nasceu da experiência de um grupo de licenciados em ciências humanas na Faculdade de Artes da Universidade de Génova, com especialização em história, demografia e estatística, arquivo e biblioteca da ciência. ( FONTE ) Originalmente era um projecto de investigação sobre o distibuição de sobrenomes em toda a Itália, mas após a primeira realização e do primeiro impacto com o público, os participantes do Projeto Gens decidiram torná-lo disponível para outros. ( FONTE ) Mais informações em  http://www.labo.net/

Shapefiles do Projeto Global Administrative Areas (GADM)

Global Administrative Areas (GADM) http://www.gadm.org No site do GADM é possível baixar arquivos com malhas espaciais com as divisões administrativas de diversos países do mundo em diversos formatos (Shapefile, ESRI personal geodatabase, ESRI file geodatabase, Google Earth .kmz, RData) O Sistema de Coordenadas das malhas é Lat/Long com Datum WGS84.  É possível fazer o download dos arquivos de todo o mundo de uma só vez ou cada país individualmente: Download de País a país:  http://www.gadm.org/country Download de Todos os países:  http://www.gadm.org/version2  - (arquivo zipado com 300 MB)  Sobre o projeto GADM "GADM was developed to support various activities, including georeferencing of textual locality descriptions (the  BioGeomancer  project) and for mapping census type data. The database is currently developed by Robert Hijmans. Major contributions have been made by Nell Garcia, Arnel Rala, and Aileen Maunahan ...