Encerramento da Olimpíada 2016 teve música indígena

Durante a cerimônia de encerramento da Olimpíada Rio 2016 foram lembradas as pinturas rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara e em seguida dançarinos coreografaram uma música indígena Guarani.

Pintura rupestre no Parque Nacional da Serra da Capivara
Fonte: Wikimedia

A música que anima a homenagem aos Guarani foi "Gwyrá Mi" foi cantada por crianças guarani e está no álbum Ñande Reko Arandu - (2000) Memória Viva Guarani. O álbum está disponível no YouTube e o canto das crianças pode ser ouvido a partir dos 4 minutos e 42 segundos (https://youtu.be/l469uaunv6A?t=4m42s).



No site do Globo Esporte pode-se conferir o vídeo da homenagem aos indígenas e outros vídeos da cerimônia de encerramento (http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/cobertura-cerimonia-de-encerramento.html).

Captura de tela do vídeo com a homenagem

IBGE - Brasil: um mundo de diversidades

O IBGE lançou a coleção "Brasil: um mundo de diversidades". São mapas interativos abordando cinco aspectos da diversidade brasileira: humana, socioeconômica, agrícola, biológica e mineral.
Confira em: bit.ly/BrasilDiverso

Depois de escolher o mapa temático basta clicar sobre os ícones que se abrirá ao lado do mapa uma ficha descrevendo a ocorrência da diversidade. No exemplo ao lado, escolhemos a diversidade biológica e ao clicar sobre o ícone na Amazônia apareceu uma onça.


Figura: Diversidade biológica

Figura: Diversidade humana

Figura: Diversidade mineral

Figura: Diversidade socioeconômica

Figura: Diversidade agrícola

A(Gente) na sustentabilidade do Desenvolvimento Local

Em 2007 fui convidado pela pela Secretaria da Educação e Secretaria de Planejamento Urbano e Desenvolvimento, da Prefeitura Municipal de Hortolândia (SP) para ministrar uma aula no curso "Programa Agentes Promotores de Desenvolvimento Local" (de duração total de 80 Horas).

A aula teve com título "A(Gente) na sustentabilidade do Desenvolvimento Local" e tratei de temas que trabalhava na época e procurei mostrar de que forma o Curso de Agentes Promotores de Desenvolvimento Local pode subsidiar a construção de políticas públicas com vistas à uma cultura de desenvolvimento local integrado e sustentável no município de Hortolândia.


Revista Atenção! - Química do suicídio [FURTADO, T.; 1996]

Em 1995 surgiu uma revista muito interessante chamada Atenção! (ISSN 1413-120X, Editora Página Aberta, São Paulo, Diretor de Redação ). Ela tinha uma diagramação bastante moderna para os padrões editoriais da época e trazia sempre reportagens, resenhas e crônicas sobre variados assuntos, muitas vezes conduzidos sob um enfoque crítico. Eduardo Galeano foi um dos colunistas da revista. A revista saiu de circulação pouco tempo depois do lançamento, mais ainda é possível encontrá-la em sebos ou bibliotecas.

Na edição n. 6, Ano 2, de 1996 - que trazia na capa João Pedro Stédile, um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - foi publicada a reportagem de Thais Furtado (p.32-34) chamada Química do Suicídio que investigava as relações entre o cultivo de fumo e o aumento dos casos de suicídio entre a população de Venâncio Aires (Rio Grande do Sul). A reportagem conta com entrevistas com o engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro (http://lattes.cnpq.br/6779441884647236), o médico sanitarista João Werner Falk (http://lattes.cnpq.br/4625474362936658) e o bioquímico Lenine Carvalho.






Química do Suicídio

Por Thaís Furtado

[Esta reportagem foi publicada originalmente na revista Atenção! (Ano 2, nº6, 1996, p.32-34). Scanner e digitação Ricardo Dagnino.]

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A autora foi colabora, em Porto Alegre, com as revistas Veja e Capricho. Ex-chefe da sucursal gaúcha de Veja e subeditora das edições regionais (Vejinhas) da revista, e professora da Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
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A cidade gaúcha de Venâncio Aires tem um dos maiores índices de suicídios do mundo. O vilão pode ser um agrotóxico.

Venâncio Aires, uma pacata cidade de 55 mil habitantes, a 110 quilômetros de Porto Alegre, nunca foi dos pontos mais conhecidos do mapa gaúcho. Até este ano, quando se revelou uma tragédia escondida por trás da vida simples dos agricultores da região. Venâncio Aires detém um dos maiores índices mundiais de suicídios. No ano passado, foram 21 mortes, 37,22 para cada 100 mil habitantes, onze vezes a média brasileira e maior até que o índice de países recordistas em suicídios, no Primeiro Mundo. Na Dinamarca, por exemplo, a média é de 28,6 mortes/ano por 100 mil habitantes.

Quem revelou a tragédia gaúcha foi um grupo de pesquisadores, em trabalho apresentado à Comissão de Justiça e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio Grande. A pesquisa relacionava as mortes com o uso indevido de agrotóxicos nas plantações de fumo, principal cultivo da região. A divulgação provocou uma guerra silenciosa na cidade e amedrontou os agricultores. Eles evitam falar com repórteres, o prefeito acusa os pesquisadores de denegrir a imagem do município e as indústrias que compram o fumo - Souza Cruz, Phillip Morris, Universal Leaf e Leegtmayer, entre outras - rebatem a denúncia, dizendo que as conclusões do trabalho são precipitadas. O que não se pode negar são os números: mais gente se suicida em Venâncio Aires que no resto do mundo. “Há muitas evidências de que o uso de agrotóxicos está relacionado com as mortes, embora possa não ser o único motivo”, diz a advogada Letícia Rodrigues da Silva, coordenadora da pesquisa. Nascida em Venâncio Aires, Letícia começou a observar que muitos vizinhos de seus pais tinham problemas mentais e vários acabavam se matando, normalmente por enforcamento.

Agricultores, as vítimas

Ativista do Movimento de Justiça e Direitos Humanos na cidade, ela resolveu ir mais a fundo na investigação. Passou por todas as delegacias de polícia da região pesquisando o número de suicídios registrados. Constatou que o índice era altíssimo. Alguns dados chamavam atenção. Mais da metade dos suicidas eram agricultores ou trabalhadores temporários nas empresas de fumo - em {p.33} alguns anos, a cifra chegava a 80%. E a maioria das mortes ocorria entre outubro e janeiro, época da colheita, quando mais se aplicam agrotóxicos.

A advogada procurou então especialistas para formar um grupo de estudos capaz de descobrir o motivo de tantos suicídios. O engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro, o médico sanitarista João Werner Falk (que hoje elabora dissertação de mestrado sobre as mortes) e o bioquímico Lenine Carvalho, que defendeu tese de mestrado sobre as seqüelas neurológicas relacionadas ao uso de agrotóxicos, passaram a se reunir semanalmente com Letícia.

A economia da região é baseada no cultivo do fumo. Só no município, são nove mil hectares de plantações. As indústrias oferecem ao agricultor as sementes, a tecnologia, os adubos e o agrotóxico. Na hora da colheita, o fumicultor tem que vender o produto para aquela indústria, que desconta os valores adiantados. “O agricultor está sempre devendo e isso é escravidão”, diz Sebastião Pinheiro. É também a indústria que classifica o fumo entregue pelo camponês; ele pode estar nas classes 1, 2 ou 3, de acordo com a qualidade. “O fumicultor cuida ao máximo da plantação, para que o fumo seja melhor classificado e ele ganhe mais”, explica Pinheiro.

A próspera indústria do fumo

Após a divulgação da pesquisa relacionando os suicídios ao uso de agrotóxicos, os camponeses que deram entrevistas ficaram com medo de terem seus produtos rebaixados de classificação, como represália. “Não temos informações de que isso tenha acontecido”, diz o diretor da Associação dos Fumicultores do Brasil (Abrafumo), Jorge Kämpf. “Esta pesquisa não tem comprovação científica e prejudica a imagem da região e dos trabalhadores.” Os fumicultores procurados por Atenção! em Venâncio Aires, no entanto, não quiseram identificar-se nem tirar fotos. “Eles estão desqualificando o fumo dos que deram entrevista, sim. Por isso ninguém quer falar”, denuncia o agricultor A.

A Abrafumo foi criada há quarenta anos, em Santa Cruz do Sul, a capital gaúcha do fumo, para apoiar os agricultores em caso de granizo ou de pragas na plantação. O presidente da entidade, Hainsi Gralow, esteve presente - em maio - no encontro em que a diretoria da Souza Cruz anunciou ao governador Antônio Britto a ampliação da usina que vem construindo em Santa Cruz do Sul (vizinha a Venâncio Aires). Deverá ser a maior usina de processamento de fumo do mundo, com investimentos iniciais de 50 milhões de dólares, que serão ampliados para 77 milhões de dólares. O agrônomo Sebastião Pinheiro diz que o problema de apresentar denúncias ligadas ao cultivo de fumo na região é que 85% dos impostos arrecadados pela Prefeitura de Venâncio Aires, por exemplo, vêm do setor. O Brasil, aliás, é o maior exportador mundial de fumo. “Como é que o prefeito de Venâncio Aires pode ser independente numa conjuntura como essa?”, questiona Pinheiro.

Quando os pesquisadores, acompanhados por deputados federais, apresentaram seu trabalho a uma platéia de mil pessoas, nenhuma autoridade municipal compareceu. Dias depois, o prefeito de Venâncio Aires, Almedo Dettenborn (PPB), foi a Brasília, com o objetivo de pedir ao ministro da Saúde, Adib Jatene, verbas para uma nova pesquisa sobre o assunto. “O prefeito disse que nossa pesquisa não era séria”, conta o bioquímico Lenine Carvalho. Dettenborn voltou sem dinheiro e os pesquisadores receberam a promessa de que será feito um levantamento epidemiológico na região. “Esta é a providência correta”, elogia Lenine. O médico João Falk chegou a entregar pessoalmente ao ministro Jatene, em Porto Alegre, uma cópia do trabalho. Para o secretário da Saúde de Venâncio Aires, Edson Dutra, a divulgação da pesquisa foi “sensacionalista”. Enquanto a polêmica prossegue, o grupo continua se reunindo. E já soube de três novos suicídios, desde fevereiro.

1995: Recorde de mortes na cidade

O médico Falk reconhece que nunca há um motivo isolado para o suicídio. Fatores culturais ou econômicos podem estar contribuindo para o número elevado de mortes na cidade gaúcha. Mas é impossível fechar os olhos, por exemplo, para o fato de que, em 1995, ano recorde em número de suicídios na história de Venâncio Aires, os agricultores aplicaram 100 quilos de agrotóxicos por hectare. Isso por conta de uma seca que aumentou a incidência de pragas. Nos anos anteriores, a média era de 50 quilos de agrotóxicos por hectare, que os especialistas já consideram demasiada. Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Fumo (Abifumo), Nestor Jost, “essa história não passa de uma campanha leviana antitabagista. Mais de 500 municípios utilizam os defensivos agrícolas. Existem locais em que a intensidade é muito maior do que em Venâncio Aires e lá nunca aconteceu {p.34} nada”, garante. Jost também desmente que o aumento de suicídios, no ano passado, esteja ligado à maior quantidade da utilização do agrotóxico. “A indústria mantém a mesma proporção de defensivos todos os anos, os cálculos são definidos previamente. Não há grandes variações”, diz. De acordo com o presidente da Abifumo, as mortes estão relacionadas a fatores sociais. “Os hortifrutigranjeiros têm uma quantidade infinita de agrotóxicos e eu desconheço alguém que tenha se suicidado porque comeu muito tomate”, conclui.

O Rio Grande do Sul é o recordista em suicídios no Brasil, com 8,09 mortes por 100 mil habitantes. Em São Paulo, o índice é de 3,99. Na região gaúcha do fumo, que engloba onze cidades, a média é de 14,22 mortes. Segundo o bioquímico Lenine Carvalho, o vilão é o organofosforado, um agrotóxico muito empregado nas plantações de fumo do Brasil. Extremamente tóxicas, algumas variedades de organofosforados são proibidas em vários países, “Eles podem causar intoxicação aguda ou crônica se inalados ou absorvidos através da pele”, explica. A intoxicação aguda causa alterações neurológicas porque o produto atinge uma enzima que controla o fluxo nervoso. A pessoa sente dor de cabeça, tonteira, vertigem, tem tremores involuntários, confusão mental e pode entrar em coma e morrer, caso não seja medicada imediatamente.

“Mesmo quem recebe atendimento pode ficar com seqüelas neurológicas”, diz o bioquímico. Essas mesmas seqüelas podem aparecer nos agricultores com intoxicação crônica, que têm contato por um longo tempo com o organofosforado, ainda que em quantidades reduzidas. Passam a sentir ansiedade, tensão, alterações no sono, dificuldade de concentração, deficiências de memória, apatia e depressão. “Todos esses elementos podem levar ao suicídio”, conclui Carvalho. Entre os mortos de Venâncio Aires, mais de 60% já apresentavam alterações psíquicas.

Além da polêmica e do medo entre os agricultores, que não querem perder uma renda média de 6 mil reais anuais por família, a pesquisa sobre os suicídios de Venâncio Aires contribuiu para a criação de uma CPI no Congresso. A CPI do Tabaco vai analisar todas as questões que envolvem a indústria do fumo, como o próprio vício, as condições de trabalho dos fumicultores e a ética das empresas. Um dos assuntos mais polêmicos da CPI certamente será o cultivo de uma variedade de fumo chamada Y1. “É uma planta criada geneticamente nos Estados Unidos que conta com o dobro de nicotina e por isso tem mais poder de viciar as pessoas”, explica o agrônomo Sebastião Pinheiro. A planta foi proibida nos EUA por motivos éticos, já que o consumidor não sabe que está fumando um cigarro que pode viciar ainda mais.

Rio Grande do Sul, campo de testes

Foi descoberto nos EUA, porém, que saíram das fábricas cigarros fabricados com essa variedade de fumo. Como? A planta vinha sendo cultivada no Brasil, inclusive em Venâncio Aires. “Felizmente ela é menos resistente às pragas” diz Carvalho. “Mas por isso mesmo, precisa de mais agrotóxicos.” A própria Souza Cruz anunciou que estava cultivando o Y1 no Brasil.

O grupo gaúcho de pesquisadores já foi convidado a participar da CPI, apresentando o trabalho sobre os suicídios de Venâncio Aires. “O uso de agrotóxicos é um problema sério de saúde pública e enquanto não chegamos a uma conclusão definitiva o governo poderia controlar melhor a venda dos produtos e informar devidamente os agricultores”, sugere o médico João Falk.


Média de suicídios por Estado*
Rio Grande do Sul
8,09
São Paulo
3,99
Minas Gerais
2,95
Rio de Janeiro
2,06
Brasil
3,2
* Casos/ano por 100 mil habitantes

Box na pág. 33

Pesquisas

Toxicologistas de vários países já realizaram estudos relacionando o uso de agrotóxicos a problemas psíquicos. Hernán Sandoval, do Chile, e German Corey, do México, comprovaram que os organofosforados, utilizados no cultivo do fumo, provocaram degeneração do sistema nervoso central, em agricultores de seus países. Uma pesquisa orientada pela Organização Mundial da Saúde, a partir de 1987, revelou casos de depressão e perda de memória na Hungria e Tchecoslováquia. O norte-americano Robert Rodnitzky, da Universidade de Iowa, fez uma pesquisa com trabalhadores expostos a organofosforados, e revelou que a intoxicação resulta em disfunções do sistema nervoso central. Na década de 60, o médico argentino Emílio Astolfi relacionou o uso de organofosforados na região fumicultora do Chaco, ao aumento de suicídios entre agricultores. Não há, porém, qualquer evidência sobre efeitos dos agrotóxicos sobre os fumantes. Mesmo assim, os pesquisadores sugerem novas investigações sobre o tema.

Fim da transcrição da reportagem






Mais sobre suicídios em Venâncio Aires (RS)





FALK, J.; CARVALHO, L.; SILVA, L.; PINHEIRO, S. Suicídio e Doença Mental em Venâncio Aires - RS: Conseqüência do Uso de Agrotóxicos Organofosforados?. Relatório De Pesquisa. Porto Alegre: 1996. 31p . Disponível em: <http://galileu.globo.com/edic/133/agro2.doc>. Acesso em 31 de maio de 2016.

Mais reportagens da revista Atenção!

MATEOS, Simone Biehler. Quem explora a mão de obra infantil. Atenção!, Ano 1, n. 2, p. 8-16., Dez./Jan. 1996. Disponível em: <http://goo.gl/kMyUlU>. Acesso em 31 de maio de 2016. (Reportagem vencedora do prêmio Vladimir Herzog de anistia e direitos humanos em 1996).









POMAR, Wladimir. Expresso Oriente. Revista Atenção – Revista Atenção!, A indústria brasileira está sumindo, Ano 2, n. 7, p. 46-50, 1996. Disponível em: <https://goo.gl/hjShmY>. Acesso em 31 de maio de 2016.

Conflitos e sobreposições entre Terras Indígenas e Unidades de Conservação

Divulgo o artigo do geógrafo da Universidade de Brasília (UnB), Vinícius Galvão Zanatto, publicado na revista Tempo - Técnica - Território (ISBN 2177-4366) do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (CIGA), da UnB. 

A revista Tempo - Técnica - Território é publicada em versão bilíngue - português e inglês - e pode ser acessada em http://inseer.ibict.br/ciga/index.php/ciga.


O artigo de Vinícius Zanotto (2015) é parte integrante da pesquisa realizada no Departamento de Geografia da Universidade de Brasília, que resultou na elaboração de uma monografia que se concentrou nos conflitos decorrentes da sobreposição territorial do Parque Nacional do Araguaia com as terras indígenas da região da Ilha do Bananal, no sudoeste do estado de Tocantins. O artigo tem como objetivo as causas da ausência de uma resolução dos conflitos de sobreposição no Brasil e parte da premissa de que as populações indígenas tem direito de permanecer em seus territórios e são fundamentais para a manutenção da biodiversidade existente no país.

Reproduzo a seguir o resumo e abstract além de um mapa produzido por Zanotto (2015).

Mapa das Terras Indígenas e Unidades de Conservação do Brasil

Fonte: Zanotto (2015)


Resumo:

As comunidades indígenas foram marginalizadas desde o princípio da construção da sociedade nacional brasileira, mesmo com a Constituição Federal definindo os direitos indígenas essa não lhes garante que sejam respeitados. Tais populações foram ignoradas durante a construção da política ambiental brasileira, nesse sentido o presente artigo visa demonstrar a importância das populações indígenas para a construção de uma política ambiental eficiente e justa. Tem como objetivo também explicar geograficamente o porquê historicamente não se resolvem os conflitos envolvendo Terras indígenas no Brasil, em especial os conflitos de sobreposições territoriais com Unidades de Conservação. Parto do princípio de que as populações indígenas tem direito de permanecer em seus territórios, mas além disso são fundamentais para a manutenção da biodiversidade existente no país, sendo esta o resultado conjunto de conhecimentos historicamente construídos no território. As discussões sobre a utilização e conservação dos recursos naturais são de extrema importância nos dias atuais, porém não deveríamos discutir o direito das populações indígenas em permanecer em seus territórios, pois se vemos uma grande diversidade de espécies nesses locais é porque tais populações estão lá. Os conflitos de sobreposições territoriais só mascaram o verdadeiro problema que está no modelo de desenvolvimento estimulado pelo Estado. 

Abstract:

The indigenous communities have been marginalized from the beginning of the construction of the Brazilian national society, even with the federal constitution defining indigenous rights that guarantees them not to be respected. These populations were ignored during the construction of Brazilian environmental policy, accordingly this paper seeks to demonstrate the importance of indigenous peoples to build an efficient and fair environmental policy. It aims also geographically explain why historically not resolve conflicts involving indigenous reserves in Brazil, especially conflicts of territorial overlap with Conservation Units. I assume that indigenous peoples have the right to remain in their territories, but also are critical to maintaining the existing biodiversity in the country, which is the result set of knowledge historically constructed in the territory. Discussions about the use and conservation of natural resources are extremely important today, but we should not discuss the right of indigenous people to remain in their territories, because if we see a great diversity of species in these places is because such people are there. The territorial conflicts of overlaps only mask the real problem is that the model of development stimulated by the state.


Referência:

ZANATTO, Vinícius Galvão. Conflitos em Territórios Indígenas: as sobreposições entre Terras Indígenas e Unidades de Conservação. V.6, N.1 (2015), 23:43. ISSN 2177-4366.

ZANATTO, Vinícius Galvão. Conflicts in Indigenous Territories: The overlays between indigenous lands and protected conservation unit areas. Time - Techinique - Territorry, V.6, N.1 (2015), 23:43. ISSN 2177-4366. http://inseer.ibict.br/ciga/index.php/ciga/article/viewFile/296/215

Keshif Data Visualization

Ferramentas de visualização de dados selecionadas pela ferramenta Keshif (http://keshif.me/demo/VisTools). Aqui encontram-se programas e páginas para análise de dados e elaboração de gráficos, mapas e infográficos.

No centro da imagem estão os programas ou páginas para visualização de dados. Nos painéis à esquerda e à direita pode-se aplicar filtros para selecionar aqueles que melhor se adaptam aos objetivos, custos, linguagem de programação, etc.


Captura de tela

Classificação de localidades brasileiras (IBGE, 2015)


A lista de definições dos termos relativos à classificação de localidades brasileiras segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é encontrada no "Glossário dos termos genéricos dos nomes geográficos utilizados no mapeamento sistemático do Brasil – Volume 2" (IBGE, 2015, p. 36-37).

Capa do Glossário - Volume 2

Termos relativos à classificação de localidades pelo IBGE

Aglomerado rural: Localidade situada em área não definida legalmente como urbana e caracterizada por um conjunto de edificações permanentes e adjacentes, formando área continuamente construída, com arruamentos reconhecíveis ou dispostos ao longo de uma via de comunicação. Os aglomerados rurais classificam-se em: aglomerados rurais de extensão urbana e aglomerados rurais isolados.

Aglomerado rural de extensão urbana: Localidade que tem as características definidoras de aglomerado rural e está localizada a menos de 1 km de distância da área urbana de uma cidade ou vila ou de um aglomerado rural já definido como de extensão urbana, possuindo contiguidade em relação a uma das localidades anteriormente citadas. Constitui simples extensão da área urbana legalmente definida, com loteamentos já habitados, conjuntos habitacionais, aglomerados de moradias ditas subnormais (favelas) ou núcleos desenvolvidos em torno de estabelecimentos industriais, comerciais ou de serviços.

Aglomerado rural isolado: Localidade que tem as características de aglomerado rural e está localizada a uma distância igual ou superior a 1 km da área urbana de uma cidade ou vila ou de um aglomerado rural já definido como de extensão urbana. Os aglomerados rurais isolados classificam-se em: povoados, núcleos e lugarejos.

Capital: Localidade onde se situa a sede do governo de Unidade da Federação, excluído o Distrito Federal.

Capital federal: Localidade onde se situa a sede do governo federal com os seus poderes executivo, legislativo e judiciário.

Cidade: Localidade com o mesmo nome do município a que pertence (sede municipal) e onde está sediada a respectiva prefeitura, excluídos os municípios das capitais.

Lugarejo: Localidade sem caráter privado ou empresarial, que possui característica definidora de aglomerado rural isolado e não dispõe, no todo ou em parte, dos serviços ou equipamentos enunciados para o povoado.

Nome local: Lugar que não se enquadre nas demais classificações de localidade e que seja reconhecido nominalmente pela população local, possuindo ou não habitações humanas, e sem um perímetro que o defina geometricamente.

Núcleo: Localidade que tem a característica definidora de aglomerado rural isolado e possui caráter privado ou empresarial, estando vinculado a um único proprietário do solo (empresas agrícolas, indústrias, usinas etc.).

Povoado: Localidade que tem a característica definidora de aglomerado rural isolado e possui pelo menos um estabelecimento comercial de bens de consumo frequente e dois dos seguintes serviços ou equipamento: um estabelecimento de ensino fundamental do 1º ao 9º ano em funcionamento regular; um posto de saúde, com atendimento regular; e um templo religioso de qualquer credo para atender aos moradores de aglomerados e/ou áreas rurais próximas. Corresponde a um aglomerado sem caráter privado ou empresarial, ou que não está vinculado a um único proprietário do solo, e cujos moradores exercem atividades econômicas, quer primárias, terciárias ou, mesmo secundárias, na própria localidade ou fora dela.

Vila: Localidade com o mesmo nome do distrito a que pertence (sede distrital) e onde está sediada a autoridade distrital, excluídos os distritos das sedes municipais.

Fonte

IBGE. Termos relativos à classificação de localidades definida pelo IBGE. In: IBGE. Glossário dos termos genéricos dos nomes geográficos utilizados no mapeamento sistemático do Brasil – Volume 2. Rio de Janeiro, IBGE, 2015. (p. 36-37).

Ligações

Link para a página do Glossário 

Volume 1. Escala 1:1 000 000 : base cartográfica contínua do Brasil ao milionésimo - BCIM -
Volume 2. Base cartográfica contínua do Brasil na escala 1:250 000 - BC250.
http://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=288835

Link direto para o Volume 2 (PDF) 

Revista Brasileira de Estatística [1940-2013]

A biblioteca digital do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) abriga muitas pérolas. Entre elas estão mais de 70 anos de edições da Revista Brasileira de Estatística, que circulou entre 1940 e 2013.

Está tudo em http://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=7111


Peguei por acaso o vol. 15, número 59, de 1954 (Download aqui!) e lá estão os ícones da demografia do IBGE:


MADEIRA, João Lyra. Perspectivas demográficas do Brasil. Revista Brasileira de Estatística. v. 15, n. 59, p. 147-154, 1954.

MORTARA, Giorgio. Nota sobre a definição da população economicamente ativa. Revista Brasileira de Estatística. v. 15, n. 59, p. 186-192, 1954.

E mais um texto interessante produzido pelo LABORATÓRIO de Estatística. lustração da influência da mortalidade e da natalidade sobre a composição por idade da população. Revista Brasileira de Estatística. v. 15, n. 59, p. 193-198, 1954. 



Deste último tirei esta ilustração com o exercício de três pirâmides da população da Índia: uma população regressiva, uma estacionada e outra progressiva.


Mais na biblioteca do IBGE
Boletim Geográfico (aqui)
Revista Brasileira de Geografia (aqui)
Sete princípios para geógrafos - K. M. Clayton (aqui!)

Projeto SelfieCity - Estilo dos selfies em cinco cidades do mundo



O número 170 da ComCiência - Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, publicada pelo Labjor e pela SBPC, é dedicado a Big Data e traz a reportagem "A arte que trafega em dados" por Janaína Quitério (2015). A autora conversou com Daniel de Souza Neves Hora, que defendeu a tese de doutorado "Teoria da arte hacker: estética, diferença e transgressão tecnológica" na Universidade de Brasília (UNB) e que chama a atenção para o projeto SelfieCity como exemplo ambicioso de investigação que desde 2014 combina métodos artísticos, teóricos e quantitativos para analisar autorretratos publicados na internet.

O projeto SelfieCity (http://selfiecity.net), ou "cidade dos selfies", consiste em uma investigação sobre o estilo de autorretratos (selfies) em cinco cidades ao redor do mundo: Bangkok, Moscou, São Paulo, Nova York, Berlim. A equipe do projeto é coordenada por Lev Manovich e analisou 3.200 fotos (640 fotos de cada cidade), filtradas a partir de um universo de 120 mil fotos georreferenciadas e coletadas aleatoriamente no Instagram.


Processo de coleta de dados

Os dados coletados pelo projeto permitiram fazer a distribuição das fotos segundo sexo e idade do autorretratado (tal qual uma pirâmide etária) e também as medianas de idade segundo o sexo.
Em São Paulo, a mediana de idade dos homens ficou em 25 anos e a das mulheres ficou em 22,3 anos e percebe-se um elevado percentual de mulheres (65,4% do total). Em relação à mediana de idade percebe-se que a de Bangkok é a menor de todas as cidades, tanto para homens quanto para mulheres.

Distribuição das fotos segundo sexo e idade do autorretratado

Mediana das idades, segundo o sexo do autorretradado

Um outro indicador interessante é o índice do sorriso (Smile Score), que vai do triste ao feliz. Enquanto que Bangkok e São Paulo são as cidades dos selfies mais felizes, Moscou é a cidade com as selfies mais tristinhas.

Índice médio de sorriso (Average smile scores)

Esses e outros indicadores foram reunidos na plataforma de análise de dados Selfie Exploratory (http://selfiecity.net/selfiexploratory/) cuja tela pode ser visualizada abaixo.



Captura da tela do Selfie Exploratory

Para a pesquisadora da Universidade da Califórnia Elizabeth Losh, entrevistada por Quitério (2015): "a base de dados formada a partir dessa pesquisa coletada em cinco cidades de quatro diferentes continentes indica que a selfie se tornou um gênero transnacional, mas, só agora, a literatura acadêmica começa a teorizar essa forma específica de autorrepresentação".

Referências

QUITÉRIO, Janaína. A arte que trafega em dados. ComCiência - Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, n. 170. 10/07/2015. Disponível em: http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=115&id=1391

SELFIECITY- Investigating the style of self-portraits (selfies) in five cities across the world. http://selfiecity.net/selfiexploratory/

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